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Namíbia: Encontro de culturas na Tribo Himba

Uma visita à tribo que acabou se tornando uma tarde de brincadeira com as crianças


Os Himba são considerados o último povo semi-nômade da Namíbia e, apesar de quase desaparecerem devido às guerras ocorridas na fronteira com a Angola e durante a independência namibiana, ainda mantém suas tradições milenares. Não tem como visitar o país sem conhecer essa gente de perto!


COMO CHEGAR

A tribo tradicional se concentra em Opuwo, extremo norte da Namíbia. São quase 800 km de estrada até lá. Como eu tinha pouco tempo para explorar todo o país, fiz meu roteiro com uma segunda opção que fica no caminho para Twyfelfontein. Para quem não sabe, existe uma pequena comunidade Himba em Otjikandero, a apenas (!) 450 km da capital. Veja a localização no Google Maps neste link.

A estrada desde a capital Windhoek é plana e com boa infraestrutura


Como o transporte público é quase inexistente na Namíbia e não existem passeios turísticos regulares para aquela região, o jeito seria alugar carro. Antes de chegar na Namíbia, consegui o contato da Gina (Whatsapp: +264812661339), uma brasileira que possui uma agência de turismo chamada Brazuca Travels. Ela fez um pacote no estilo private tour (motorista + carro) para 2 dias, sendo o primeiro em Otjikandero e o segundo em Twyfelfontein. O valor foi N$ 5.800 (que eu dividi com um amigo). As despesas de combustível, hospedagem do motorista e alimentação seriam pagos à parte. Ela ainda emprestou barracas e saco de dormir. 

Parada na cidade de Otjiwarongo, a 245 km de Windhoek


Saímos às 9h00 de Windhoek e fizemos uma parada na cidade de Otjiwarongo num grande supermercado. Compramos comida para economizar no restante da viagem: pão, ovo cozido, queijo, salame e banana.  Aproveitamos para almoçar num self service que existe lá dentro. Depois, continuamos a viagem até avistar um grupo de mulheres Himba na estrada. Paramos para tirar foto com elas, mas depois pediram N$ 20. Eu já estava achando que esse povo seria ganancioso como os índios brasileiros que eu já tive certa experiência, mas me enganei. Logo ao chegar no caminho de entrada para a tribo, duas Himba pediram carona. Foi uma cena bem diferente, transportá-las de carro, mas também foi o primeiro contato real com aquele povo simpático e simples. Chegamos por volta das 15h00.

Duas mulheres Himba pediram carona até a entrada da tribo


Foram bastante simpáticas e receptivas


Não pude deixar de registrar o encontro com minhas novas amigas


Na entrada da tribo existe uma escola que presta apoio à comunidade


ONDE FICAR?

Viajar pelo interior da Namíbia não é tão complicado, principalmente para achar hospedagem devido aos inúmeros campings sites espalhados pelas estradas. Em Otjikandero também tem. Primeiro passamos por um lodge (espécie de hostel) que estava fechado e depois seguimos para o camping. A área possui infraestrutura com banheiro com água quente, cozinha e barracas para alugar. Tudo bem rústico, mas com o conforto necessário. O camping sem barraca custava N$ 150 e a barraca (tent) com cama sairia por N$ 250 por pessoa. A dona do camping cobrou apenas N$ 500 pela tent com 2 camas onde dormiu o motorista e meu amigo. Eu acampei em frente, na barraca emprestada, sem nenhum custo extra.

Área de camping ao lado da tribo Himba


Banheiro rústico do camping, mas com água aquecida


Interior da tent alugada para pernoite


VISITA À TRIBO

Na hora de fechar a hospedagem no camping, descobri que a senhora branca era também a dona das terras em que os Himba mantinham sua tribo. Na hora de visitar a aldeia, ela nos enviou um "guia" para levar até o local. Meu amigo questionou ao guia se aquilo seria pago e ele disse que a visita à tribo era cobrada pelos donos da terra. Começamos a reclamar e se recusar a pagar. Depois de muita conversa, os donos desistiram de cobrar. Foi então que seguimos andando para a pequena aldeia Himba.

Casas circulares tradicionais da tribo Himba


Os Himba, principalmente as mulheres, são famosos por cobrir a pele com a chamada pasta otjize, uma mistura cosmética de gordura de manteiga e pigmento ocre. Esse costume surgiu devido à escassez de água nas regiões que seu povo vive. Segundo suas tradições, isso mantém a pele limpa durante longos períodos e protege do clima extremamente quente e seco, bem como da picada de insetos. Além disso, o Otjize é considerado um cosmético de beleza estética, simbolizando a cor vermelha da terra e sangue, a essência da vida.

Os Himba são bastante receptivos, o único estresse que tive foi com os donos da terra


MITOLOGIA

Possuem crença monoteísta, sendo o seu deus chamado Mukuru. Também fazem adorações aos seus antepassados. Mukuru só faz o bem, enquanto que os antepassados ​​podem abençoar ou amaldiçoar. Quando Mukuru está ocupado, os antepassados ​​agem como representantes de Mukuru na terra. Outra crença é em omiti, que seria traduzido como bruxaria, magia negra ou "má medicina". A morte seria causada por alguém usando omiti para fins maléficos.

Artesanatos Himba expostos na aldeia


DIVERSÃO COM AS CRIANÇAS

Minha visita à aldeia Himba pôde ser resumida como uma tarde de brincadeiras com as crianças. No início só haviam umas 3 crianças e começamos a jogar futebol. No final, apareceram várias delas nos cercando, se pendurando na gente, abraçando, etc. 

As crianças foram aparecendo e querendo brincar


Uma tentativa de comunicação para saber seus nomes


Olhar desconfiado para uma câmera GoPro


Já essa menina demonstrou ter um olhar fotogênico


Uma cena que não esqueço foi de uma criança olhando e puxando os pelos do meu braço. Era algo novo e diferente para elas que não possuem pelos no corpo. Percebi que eram crianças bem educadas, mas pareciam carentes de afeto, disputando cada espaço para receber um abraço.

Tudo era motivo para brincadeiras...


... até mesmo meus óculos escuros


Se é para sair na foto, que seja com estilo! 😎


Disputa por uma vaga no abraço coletivo


As crianças valorizavam cada momento de atenção


PERNOITE NA SAVANA

Retornamos para o acampamento no final da tarde e eu resolvi subir numas pedras ali próximas. Lá de cima era possível ver toda a área e ter uma vista impressionante do pôr-do-sol. Assim que a noite caiu, jantamos a comida que havíamos comprado mais cedo na cozinha improvisada, com a vista do céu estrelado da savana africana.

Área do acampamento vista de cima das pedras


Um pôr-do-sol para ficar na memória


Comida simples, barata e com direito à cerveja namibiana com os amigos


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Renan tem 35 anos, é carioca, mochileiro, torcedor do Botafogo, historiador e arqueólogo amador. Gosta de viajar, fazer trilhas, academia, ler sobre a história do mundo e os mistérios da arqueologia, sempre comparando os lados opostos de cada teoria. Cada viagem que faz é fruto de muito planejamento e busca conhecer o máximo de lugares possíveis no curto período que tem disponível. Acredita que a história foi e continua sendo distorcida para beneficiar alguns grupos, e somente explorando a verdade oculta no passado é que se consegue montar o quebra-cabeça do mundo.

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